Pular para o conteúdo

Tontura e equilíbrio

Tontura, vertigem e labirintite — neurologista em Balneário Camboriú

'Labirintite' virou nome genérico para qualquer tontura, mas as causas são muitas e o tratamento muda conforme a origem. A maior parte das vertigens vem do ouvido interno e tem tratamento específico; uma parte menor tem causa neurológica e não pode passar despercebida.

Avalio vertigem posicional, crises de vertigem com náusea, desequilíbrio persistente, tontura associada à enxaqueca e tontura que apareceu junto com outros sintomas neurológicos.

Sinais e sintomas

Padrões que ajudam a entender a causa

  • Vertigem de segundos ao deitar, virar na cama ou olhar para cima (típica de VPPB)
  • Crise de rotação intensa com náusea, durando horas a dias
  • Sensação de desequilíbrio constante, 'cabeça leve' ou de estar flutuando, ao longo do dia
  • Tontura acompanhada de zumbido, sensação de ouvido tampado ou perda de audição
  • Tontura que piora em ambientes com muito estímulo visual — supermercado, telas, trânsito
  • Tontura com visão dupla, dificuldade de fala, dormência ou fraqueza
  • Quedas ou insegurança para andar, principalmente no escuro

Procure urgência se a tontura vier com

  • Visão dupla, fala enrolada, fraqueza ou dormência em um lado do corpo
  • Dificuldade intensa para andar, quedas
  • Dor de cabeça súbita e forte junto com a tontura
  • Tontura intensa e contínua que começou de repente e não passa, sobretudo com fatores de risco vascular

Como é a investigação

O que a avaliação inclui.

  1. 01

    História do tipo de tontura

    Duração das crises, gatilhos e sintomas associados direcionam o diagnóstico melhor do que qualquer exame.

  2. 02

    Manobras e exame do equilíbrio

    Testes específicos à beira do leito diferenciam causa periférica de central e identificam a VPPB.

  3. 03

    Exames complementares quando indicados

    Avaliação otoneurológica, audiometria e neuroimagem em situações selecionadas.

Tratamento

Como é o tratamento

Na VPPB (a causa mais comum), manobras de reposicionamento resolvem a maioria dos casos, muitas vezes na própria consulta.

Em outras causas periféricas, o tratamento combina medicação na fase aguda e reabilitação vestibular — exercícios que treinam o equilíbrio.

Quando há componente de enxaqueca (vertigem migranosa) ou causa neurológica, o tratamento é dirigido a essa origem.

Uso prolongado de remédio para tontura ('labirintite') sem diagnóstico costuma atrapalhar a recuperação e é um ponto revisado na consulta.

Quando procurar um neurologista para tontura

Tontura passageira e ocasional, ligada a levantar rápido ou a um dia de cansaço, costuma não exigir investigação.

Procure avaliação quando a tontura é recorrente, quando as crises são intensas e com náusea, quando há desequilíbrio para andar, quando vem acompanhada de alteração de audição, ou quando persiste por semanas sem diagnóstico claro.

Uma tontura forte e contínua que começou de repente — sobretudo em quem tem pressão alta, diabetes ou já teve AVC — deve ser avaliada com urgência, porque pode ter origem vascular.

Como é a primeira consulta

A pergunta central não é 'você tem tontura?', e sim 'que tipo de tontura?'. Vertigem (sensação de rotação), desequilíbrio, sensação de desmaio iminente e 'cabeça leve' apontam para causas diferentes.

Detalhamos a duração de cada episódio — segundos, minutos, horas, dias ou contínuo —, o que desencadeia (mudança de posição, movimento da cabeça, ambientes visuais) e os sintomas associados (audição, dor de cabeça, sintomas neurológicos).

O exame inclui manobras à beira do leito que reproduzem a tontura e diferenciam causa do ouvido de causa neurológica. Muitas vezes o diagnóstico da VPPB, a causa mais comum, é fechado e tratado na própria consulta.

Exames: quando são necessários

Na maioria das vertigens de causa periférica, o diagnóstico é clínico e não exige exame de imagem.

A ressonância é indicada quando há sinais de alerta, quando o exame mostra achados centrais, ou quando o quadro não é típico — e serve para descartar AVC de fossa posterior, esclerose múltipla e tumores.

A avaliação otoneurológica, com audiometria e testes vestibulares, ajuda a caracterizar causas do ouvido interno, como a doença de Ménière.

VPPB, Ménière, neurite vestibular e vertigem da enxaqueca

VPPB (vertigem posicional paroxística benigna): a causa mais comum. Vertigens de segundos, desencadeadas por mudança de posição da cabeça. Resolve com manobras de reposicionamento.

Neurite vestibular: uma crise única de vertigem intensa e contínua, com náusea, durando dias, sem alteração de audição. Melhora aos poucos com reabilitação.

Doença de Ménière: crises de vertigem de horas, acompanhadas de zumbido, sensação de ouvido tampado e perda de audição flutuante.

Vertigem da enxaqueca (migranosa): episódios de tontura ou vertigem, com ou sem dor de cabeça, em quem tem enxaqueca. É uma causa frequente e subdiagnosticada, com tratamento próprio.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre tontura e vertigem.

Labirintite é um diagnóstico?

Raramente. 'Labirintite' seria uma inflamação do labirinto, que é incomum. Na prática, a palavra é usada para tonturas de causas variadas. O objetivo da consulta é achar a causa real.

O que é VPPB?

É a causa mais comum de vertigem: pequenos cristais se deslocam dentro do labirinto e provocam vertigens curtas quando você muda a posição da cabeça — ao deitar, virar na cama ou olhar para cima. Tem tratamento simples e eficaz com manobras de reposicionamento, muitas vezes na própria consulta.

Tontura pode ser sinal de AVC?

Pode, sobretudo quando é intensa, contínua, começou de repente e vem com outros sintomas — visão dupla, dificuldade para falar ou andar, dormência. Nessas situações, é emergência. A tontura isolada, recorrente e ligada a posições quase sempre tem causa benigna.

Tontura pode ser da coluna cervical?

É uma causa muito menos frequente do que se pensa. Antes de atribuir a tontura ao pescoço, é importante descartar as causas vestibulares e neurológicas.

A tontura tem a ver com ansiedade?

Sim, existe uma relação nos dois sentidos. A ansiedade pode gerar e amplificar a tontura, e uma vertigem inicial pode desencadear um quadro persistente sustentado por hipervigilância — a tontura postural-perceptual persistente, que tem tratamento específico.

Preciso de ressonância para investigar tontura?

Nem sempre. Na maioria das vertigens de causa periférica, o diagnóstico é clínico. A ressonância é indicada quando há sinais de alerta ou o quadro não é típico.

Remédio para labirintite pode ser usado por muito tempo?

Não. Os supressores vestibulares aliviam a fase aguda, mas o uso prolongado atrapalha a adaptação do cérebro e pode perpetuar a tontura. Depois dos primeiros dias, o foco passa a ser a reabilitação vestibular.

O que é reabilitação vestibular?

É um conjunto de exercícios que treina o equilíbrio e estimula o cérebro a compensar a falha do sistema vestibular. É o tratamento de escolha para várias causas de tontura crônica e para o desequilíbrio persistente.

Enxaqueca causa tontura?

Sim. A vertigem migranosa é uma das causas mais frequentes de tontura recorrente, principalmente em mulheres com histórico de enxaqueca. Pode ocorrer sem dor de cabeça, e o tratamento é o mesmo da enxaqueca.

Referências

Conteúdo baseado em diretrizes e revisões científicas. As referências abaixo têm finalidade informativa e não substituem a avaliação médica.

  1. Bhattacharyya N, Gubbels SP, Schwartz SR, et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2017;156(3_suppl):S1-S47. PubMed · DOI
  2. Lempert T, Olesen J, Furman J, et al. Vestibular migraine: diagnostic criteria (update). J Vestib Res. 2022;32(1):1-6. PubMed · DOI
  3. Kattah JC, Talkad AV, Wang DZ, Hsieh YH, Newman-Toker DE. HINTS to diagnose stroke in the acute vestibular syndrome: three-step bedside oculomotor examination more sensitive than early MRI diffusion-weighted imaging. Stroke. 2009;40(11):3504-3510. PubMed · DOI
  4. Newman-Toker DE, Edlow JA. TiTrATE: a novel, evidence-based approach to diagnosing acute dizziness and vertigo. Neurol Clin. 2015;33(3):577-599. PubMed · DOI
  5. Staab JP, Eckhardt-Henn A, Horii A, et al. Diagnostic criteria for persistent postural-perceptual dizziness (PPPD): consensus document of the committee for the Classification of Vestibular Disorders of the Bárány Society. J Vestib Res. 2017;27(4):191-208. PubMed · DOI
  6. Strupp M, Dlugaiczyk J, Ertl-Wagner BB, Rujescu D, Westhofen M, Dieterich M. Vestibular disorders: diagnosis, new classification and treatment. Dtsch Arztebl Int. 2020;117(17):300-310. PubMed · DOI

Próximo passo

Convive com tontura sem um diagnóstico claro? Vamos investigar a causa.

Dr. Amilton Alves da Silva Junior · CRM-SC 9118 · RQE Neurologia 6114 · RQE Neurocirurgia 6113

Conteúdo informativo. Não substitui uma consulta médica. Atendimento particular, sem convênios.