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Dor de cabeça e enxaqueca

Tratamento de enxaqueca e dor de cabeça em Balneário Camboriú

A enxaqueca é uma doença neurológica — não apenas 'uma dor de cabeça forte'. Tem base genética, envolve a ativação do sistema trigeminovascular e de uma molécula chamada CGRP, e pode ser incapacitante durante as crises. Quando as crises passam a ser frequentes, a atrapalhar o trabalho e o sono, ou a exigir analgésico quase todos os dias, existe um quadro que precisa de avaliação e de um plano estruturado — não de mais um analgésico.

Também avalio cefaleia tensional, cefaleia em salvas, dor de cabeça que começou depois dos 50 anos e dor de cabeça que mudou de padrão — situações que pedem investigação dirigida.

Sinais e sintomas

Sinais de que a dor de cabeça precisa de avaliação

  • Crises de dor de cabeça em 4 ou mais dias por mês
  • Uso de analgésico ou triptano para dor de cabeça em mais de 10 dias por mês
  • Dor pulsátil, geralmente de um lado, que piora com esforço ou movimento
  • Náusea, vômito ou incômodo importante com luz, som e cheiros durante a crise
  • Aura: pontos luminosos, linhas em zigue-zague, embaçamento ou formigamento que precede a dor por 5 a 60 minutos
  • Dor de cabeça que atrapalha trabalho, estudo ou sono, ou que exige deitar no escuro
  • Dor de cabeça que apareceu, mudou de característica ou aumentou de frequência nos últimos meses

Procure atendimento de urgência se

  • A dor começou de forma súbita e explosiva, com pico em segundos — a mais forte da vida
  • Há febre, rigidez de nuca, confusão ou sonolência
  • Há perda de força, alteração da fala, da visão ou dormência junto com a dor
  • A dor surgiu após traumatismo na cabeça
  • É uma dor de cabeça nova depois dos 50 anos, ou em quem tem câncer ou imunossupressão
  • A dor piora progressivamente ao longo de dias, ou é pior ao deitar e ao acordar

Como é a investigação

O que a avaliação inclui.

  1. 01

    História clínica detalhada

    Padrão de cada tipo de crise, gatilhos, frequência, histórico familiar e — em detalhe — todas as medicações já usadas, com dose e tempo de uso. O diagnóstico da maioria das cefaleias é clínico.

  2. 02

    Exame neurológico

    Avaliação dirigida para identificar sinais que indiquem necessidade de neuroimagem.

  3. 03

    Exames de imagem quando indicados

    Ressonância ou tomografia são solicitadas em situações específicas — não são rotina na enxaqueca típica com exame normal.

  4. 04

    Diário de cefaleia

    Registro das crises por algumas semanas para medir a frequência real e a resposta ao tratamento nos retornos.

Tratamento

Como é o tratamento

O tratamento tem duas frentes: medicação para abortar a crise quando ela vem e, quando as crises são frequentes, tratamento preventivo, que reduz o número e a intensidade das crises ao longo das semanas.

Existem hoje opções preventivas orais, injetáveis (anticorpos anti-CGRP, mensais ou trimestrais), gepantes por via oral e toxina botulínica para enxaqueca crônica. A escolha depende da frequência das crises, das doenças associadas e do que já foi tentado — e em que dose e por quanto tempo.

Um ponto central é o uso excessivo de analgésico: quando se toma remédio para dor quase todo dia, a própria medicação passa a sustentar a dor. Reorganizar esse uso costuma ser parte do plano.

Sono, alimentação, hidratação, atividade física e manejo do estresse influenciam a frequência das crises e entram no acompanhamento.

Quando procurar um neurologista para dor de cabeça

Dor de cabeça ocasional, leve e que responde a um analgésico simples geralmente não exige neurologista. A avaliação especializada faz diferença quando a dor muda de patamar.

Procure avaliação quando as crises acontecem em 4 ou mais dias por mês, quando você usa analgésico para dor de cabeça em 10 ou mais dias por mês, quando as crises continuam incapacitantes mesmo com medicação, quando surgiu uma aura pela primeira vez, quando a dor começou depois dos 50 anos, quando o padrão da dor mudou, ou quando há outros sintomas neurológicos associados.

Também é motivo de avaliação a dor de cabeça que já foi investigada mas não melhora, e a dor de cabeça que surge na gestação ou no pós-parto, que tem particularidades.

Como é a primeira consulta

A consulta é longa porque o diagnóstico da maioria das dores de cabeça é clínico — feito pela história, não por exame de imagem.

Levantamos o padrão de cada tipo de crise, os gatilhos, o histórico familiar e todas as medicações já usadas, com dose e tempo de uso — porque um preventivo 'que não funcionou' muitas vezes foi usado em dose baixa ou por tempo curto demais.

Fazemos o exame neurológico dirigido, que orienta se há necessidade de neuroimagem, e definimos um plano com duas frentes: o que fazer na crise e, se as crises forem frequentes, o tratamento preventivo. Você sai com um diário de cefaleia para preencher até o retorno.

Exames: quando são necessários e o que mostram

Na enxaqueca com padrão típico e exame neurológico normal, a ressonância magnética geralmente não é necessária — ela não 'mostra a enxaqueca', serve para descartar outras causas.

A neuroimagem é indicada quando há sinais de alerta, quando o padrão da dor mudou, quando a dor começou depois dos 50 anos, ou quando o exame neurológico tem alguma alteração. A tomografia é o exame do pronto-socorro numa dor súbita e intensa; a ressonância é melhor para investigação eletiva.

Exames de sangue são pedidos quando se suspeita de uma causa secundária — por exemplo, VHS e proteína C-reativa diante de suspeita de arterite de células gigantes acima dos 50 anos.

Um ponto importante: exame de imagem normal não significa que 'não é nada'. A enxaqueca é uma doença real com exames estruturais normais.

Enxaqueca, cefaleia tensional e outras dores de cabeça

Enxaqueca: dor geralmente de um lado, pulsátil, moderada a forte, que piora com atividade física, associada a náusea e/ou incômodo com luz e som, durando de 4 a 72 horas sem tratamento.

Cefaleia tensional: dor dos dois lados, em aperto ou peso, leve a moderada, sem náusea e sem piora com esforço. É a mais comum.

Cefaleia em salvas: crises curtas, de 15 minutos a 3 horas, de dor muito intensa ao redor de um olho, com lacrimejamento e congestão nasal do mesmo lado, agrupadas em períodos. É rara e tem tratamento próprio.

Cefaleia por uso excessivo de medicação: dor presente na maior parte dos dias, muitas vezes já ao acordar, em quem usa analgésico ou triptano com muita frequência. O tratamento passa por reorganizar esse uso.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre enxaqueca e dor de cabeça.

Enxaqueca tem cura?

Enxaqueca é uma condição crônica, sem cura definitiva na maioria dos casos, mas com tratamento é possível reduzir de forma importante a frequência e a intensidade das crises e recuperar qualidade de vida.

Qual a diferença entre enxaqueca e cefaleia tensional?

A enxaqueca costuma ser de um lado, pulsátil, forte, com náusea e incômodo com luz, e piora com esforço. A cefaleia tensional é dos dois lados, em aperto, mais leve, sem náusea e sem piora com atividade. Uma mesma pessoa pode ter os dois tipos.

Preciso fazer ressonância?

Na enxaqueca com padrão típico e exame neurológico normal, a ressonância geralmente não é necessária. Ela é indicada quando há sinais de alerta ou mudança recente no padrão da dor.

Tomo analgésico quase todos os dias. Isso é um problema?

Sim. O uso de analgésico em mais de 10 a 15 dias por mês pode gerar cefaleia por uso excessivo de medicação, que perpetua a dor. Esse ponto é avaliado e trabalhado no tratamento.

Enxaqueca é hereditária?

Em grande parte, sim. A enxaqueca tem forte componente genético e a maioria das pessoas afetadas tem familiares próximos também com enxaqueca. Isso não significa que os filhos necessariamente terão.

Anticoncepcional pode piorar a enxaqueca?

Pode. O anticoncepcional combinado, com estrogênio, aumenta a frequência das crises em algumas mulheres e, na enxaqueca com aura, está associado a maior risco de AVC isquêmico, sobretudo em quem fuma. Nesses casos discute-se com o ginecologista alternativas sem estrogênio.

Enxaqueca com aura aumenta o risco de AVC?

Sim, de forma modesta. A enxaqueca com aura está associada a cerca de duas vezes mais risco de AVC isquêmico — risco que segue baixo em números absolutos e que é maior em quem fuma e usa anticoncepcional combinado. Controlar esses fatores reduz o risco.

Toxina botulínica funciona para enxaqueca?

Funciona para a enxaqueca crônica, quando há dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês. Não é indicada para a enxaqueca episódica. A aplicação segue um protocolo específico e é repetida a cada 12 semanas.

O que são os anticorpos anti-CGRP?

São medicações preventivas desenvolvidas especificamente para enxaqueca, que bloqueiam o CGRP, uma molécula central na crise. São aplicadas por injeção mensal ou trimestral e hoje são consideradas opção de primeira linha para prevenção.

Estou grávida ou quero engravidar. Posso tratar a enxaqueca?

Sim, com ajustes. Vários preventivos usados fora da gestação são contraindicados na gravidez, mas há opções para a crise e para prevenção, e a enxaqueca costuma melhorar no segundo e terceiro trimestres. O plano é individualizado e alinhado com o obstetra.

Quanto tempo até melhorar?

O tratamento preventivo costuma levar de 4 a 12 semanas para mostrar efeito claro. Por isso o acompanhamento com retornos é parte do processo.

Referências

Conteúdo baseado em diretrizes e revisões científicas. As referências abaixo têm finalidade informativa e não substituem a avaliação médica.

  1. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. PubMed · DOI
  2. Ashina M. Migraine. N Engl J Med. 2020;383(19):1866-1876. PubMed · DOI
  3. Charles AC, Digre KB, Goadsby PJ, et al. Calcitonin gene-related peptide-targeting therapies are a first-line option for the prevention of migraine: an American Headache Society position statement update. Headache. 2024;64(4):333-341. PubMed · DOI
  4. Diener HC, Dodick D, Evers S, et al. Pathophysiology, prevention, and treatment of medication overuse headache. Lancet Neurol. 2019;18(9):891-902. PubMed · DOI
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Próximo passo

Quer entender o que está por trás das suas crises de dor de cabeça?

Dr. Amilton Alves da Silva Junior · CRM-SC 9118 · RQE Neurologia 6114 · RQE Neurocirurgia 6113

Conteúdo informativo. Não substitui uma consulta médica. Atendimento particular, sem convênios.